Resenha: "Livraria Limítrofe" de Alfer Medeiros, por Sílvia Andreotti

Ficha Técnica:
Título: Livraria Limítrofe
Autor: Alfer Medeiros
Editora: Estronho/Fantas
Ano de Lançamento: 2011
Gênero: Fantasia
Páginas: 192
Preço Médio: 24,90
Santa terça-feira, Batman...
Certo, então vamos direto ao ponto, dizendo uma coisa vocês não sabem sobre mim. Eu AMO livros, mas tenho verdadeiro horror a histórias narradas em primeira pessoa. Não há consistência nas ações, não consigo sentir a verdade por trás das palavras ditas, sem contar que a história tende a ficar um pouco egoísta, mesmo não sendo essa a intenção. Não gosto e ponto! Mas a quantidade de livros que vieram parar em minhas mãos com esse tipo de relato foi tão grande, que eu desisti de ser uma seletiva chata e aceitei o desafio de ler e não me contorcer ao decorrer das páginas. Além do mais, um dos principais livros que estou escrevendo tem como narrador, a própria protagonista… Acho que não posso mais reclamar…
Em 2010 eu publiquei um conto pequeno chamado Reflexos  em uma antologia sobre Magia, e foi quando eu conheci o, agora meu amigo, Alexandre “Alfer” Medeiros, profissional de TI e já autor do livro Fúria Lupina Brasil (futuramente farei uma resenha aqui, mas ainda não é a hora). Algum tempo depois, ele veio conversar comigo a respeito de um livro que estava escrevendo. Livraria Limítrofe, ele disse que se chamava. Um nome bastante incomum, mas… Véi!!! Tem “livro” no meio do nome, véi!!!!! Só pode ter coisa boa, véi!!!!!!!!
Pedindo-me para fazer segredo quanto a sua obra, ele me mostrou o blog que criara exclusivamente para ela. Aqui, (nesta pedra, alguém sentou olhando o mar… não, pera…) neste post, de como tudo começou, do nascimento das personagens e de todo o mundo fantástico que envolve aquela história, era sobre mim que ele falava… Do meu conto (que é uma pequena prévia de um outro livro meu) que o permitiu criar todo o universo do seu segundo filho (aprendam mais essa, meus lindos… A obra de um escritor é como seu filho de sangue).
Não havia palavras para descrever a minha emoção. Então descobri que ele realmente não sabia brincar, quando comprei o livro (lindo, diga-se de passagem) e encontrei, em meio aos agradecimentos, 3 linhas que fizeram com que a alegria e o orgulho que eu sentia explodissem em fios cristalinos e soluços…
Vai... Agora segura o meu balão...
Novamente… eu que agradeço por ter sido eu (muito por acaso) a fonte de inspiração para uma obra fantástica que aborda, se não tudo, pelo menos a maioria das minhas preferências. É uma honra, meu amigo.
Sinceramente, eu fiquei com medo de ler. Não por Alfer, pois sei que ele é um excelente autor, então eu confio em suas habilidades de escrita. Mas por mim, pois quando ele me contou sobre o que se tratava o novo livro, eu tive a certeza de que seria o tipo de história que me faria detonar uma caixa inteira de Kleenex em minutos. Essa sou eu… Emotiva até a alma.
Respirei fundo, prendi o fôlego e mergulhei nas profundezas daquele mar de letras desconhecidas.
Quando comecei a ler, percebi que ele fugia dos padrões da narrativa convencional, mesmo sendo em primeira pessoa. Não havia ações; pelo menos, não que fossem descritas para nós. Tratava-se de uma conversa. Um monólogo, na verdade. O Livreiro Limítrofe, como é conhecido o dono do estabelecimento em questão e que em momento algum revela o seu nome, pois ele mesmo diz considerar isso uma coisa irrelevante, está claramente conversando com alguém. Ele fala, apenas, ilustrando em palavras toda a grandiosa dimensão do ambiente em que trabalha. Discorre sobre o seu dia-a-dia, como a livraria funciona, fala de sua esposa, de Paul, o mascote da loja, e de como a magia acontece naquele lugar. E eu achei isso simplesmente sensacional, pois conseguiu levar toda uma conversa, sem precisar narrar seus movimentos pela sala. Ele apresentou partes da livraria, apenas dizendo coisas como “Ah, percebo que se interessou pelo grande aquário que está atrás do balcão… É realmente fascinante, não?" , ou seja, poupou folhas e mais folhas de descrição sem sentido e conversa jogada fora. Então, crianças, quando eu falo de narrativa bem feita, é disso que eu estou falando. E a leitura não é em nada cansativa, pois não é uma história corrida. São 13 pontos de vista, afora o proprietário da loja e o depoimento-surpresa do autor, que compõem o livro.
As pessoas entram e, de acordo com a sua “inclinação literária”, o mundo lá dentro muda. Uma pessoa pode encontrar todo um cenário medieval, com elfos observando sobre as árvores, e logo depois passar a pilotar uma nave intergaláctica em uma paisagem futurista. Outro que atravessa a porta e dá de cara com um grande castelo com velas flutuando no teto que foi enfeitiçado para que se parecesse com o céu ao anoitecer. Lá, você pode ser quem você quiser, explorar lugares que só visitou em sonho, ou em páginas dos livros. Lá dentro, você pode viver tudo o que sempre desejou. Lá, o céu é o limite!
(Aliás, Alfer… Demorou pra você fazer uma narrativa com um grupo inteiro de R.P.G.!!! Aquele Senhor da Má Educação não foi o suficiente para aplacar a minha fome de Terra Média.)
Em alguns momentos, eu cheguei a visualizar o filme “A Loja Mágica de Brinquedos”. Não duvido que possa ter rolado uma singela homenagem. Foi maravilhosamente igual.
Estamos falando do mundo real que pode ser modificado a cada passo dado. De um mundo inteiro que cabe em uma loja do tamanho de um botão.
E eu morria de orgulho a cada palavra, a cada linha, a cada página virada. Não havia como não me emocionar.
Durante as narrativas, Alfer nos passa pistas de personagens, autores, lugares, gêneros que, em algum momento, fizeram parte da nossa vida, e sem precisar dizer seus nomes, ou até mesmo se aprofundar na descrição, você sabe de quem ele está falando. Dependendo do capítulo, até quando o visitante começa a falar da sua experiência na loja, você já sabe o que vai acontecer, tamanha foi a sintonia que o autor conseguiu traçar por aquelas linhas. (Sério… nem o Pica-Pau ele deixou escapar!)
E eu ria a cada menção, me emocionava, claro, eu não sou de ferro (o pessoal na fila do cinema que o diga…), e eu ainda bato na mesma tecla de que a garota do capítulo Lapso Criativo sou eu. Todos os meus trejeitos e manias, o meu bloqueio artístico que aconteceu na época em que o livro era escrito… Tivemos uma Conexão, Alfer, só você não percebeu.
Existem duas edições diferentes da Livraria Limítrofe – O Adeus. A primeira, por ideia da própria Editora, é aquela do início da matéria, que foi lançada sem capa, logo, para que não se estragasse com facilidade, as primeiras páginas foram feitas com um papel de gramatura maior a essa pequena “faixa” para evitar que o livro fique se abrindo.
Eu gostei. Achei que ficou diferenciado, único. Comprei no Fantasticon de 2011, quando foi feito o seu lançamento. A obra fez grande sucesso e logo se esgotou das prateleiras. Então, esse ano para a segunda edição, os fãs de Alfer Medeiros contam  com algumas surpresas, que foram a capa dura, as páginas estilizadas e a inclusão de dois capítulos extras, que ele escreveu depois que o livro estava em processo de finalização.
E essa versão eu também tenho! Não poderia faltar em minha coleção. Ganhei de presente do próprio Alfer! (Seulyndo! Muito obrigada!!! Eu Amei!!!!!)
Claro que eu chorei no capítulo final… assim como eu chorei quando li aquele post, contando como tudo começou.
Eu terminei de ler o livro mais do que emocionada. Terminei realizada, por não ter, em momento algum, me decepcionado.
Garanto, pessoinhas, que irão se apaixonar por tudo, neste livro.
Eu não vejo a hora de poder ler a continuação que está passando pelos revisores…
O quê? Vocês acharam mesmo que o livro acabaria do jeito que acabou? Não, não! Angelina está chegando para ouvir tudo o que os visitantes da Livraria mais excêntrica da Via Láctea têm a dizer.

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